sábado, 23 de maio de 2009


2 anos atrás
O banco está do outro lado.
O gato está no armário.
Os livros estão guardados.
O telefone tem tocado.
Tenho desenhado.
E isso resume o que logo será passado.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O sol decidiu acordar de seu sono, está claro e gostoso lá fora.
Logo vou para a caverna de pedra branca organizar as minhas estantes de conhecimento.
Acordei mais cedo, as cinco horas são realmente suficientes para me abastecer de energia.

domingo, 17 de maio de 2009

E esta é a casa final, por enquanto. Vou mostrar as casas intermediárias também e contar um pouco sobre elas. Cada uma tinha algo de especial, de mágico.
A noite, tenho apagado todas as luzes e sentado ali na frente. Fumo um cigarro ou outro, observo o pouco movimento na estrada logo em frente, dou um afago nos cachorros e me flagro hipnotizada pela fumaça do cigarro, dançando ligeira e se contorcendo em forma de espiral até desaparecer.
Não tenho pensado em muita coisa, não tenho feito nada mais do que apenas ter estado aqui.

O lugar onde cresci

Deu que achei uma fotografia da casa vencedora do maior tempo de moradia de minha família : Campo Largo, bairro do Itaqui - PR, difícil contar tudo, mas agora tenho seis anos de lembranças para recordar.


Não faz idéia de quantas vezes corri neste pátio, de como subi nestas árvores, das vezes em que me escondia embaixo do monte das folhas em forma de estrela destes platanos e como na noite brincava de dançar para a lua.
Vivia as minhas manias, empinava pipas, construia laboratórios de perfumaria em árvores, caçava aranhas, protegia borboletas e formigas.
Na primeira janela, da esquerda para a direita, que aparece só um pouquinho, era do meu quarto.
As vezes ainda sonho com ele. Ali eu estendia da porta até a janela e da parede mais uma vez até a janela barbantes intermináveis e neles eu prendia com os grampos de roupa da mamãe todas as minhas pinturas em aquarela. Eram muitas.
Quando eu ficava de castigo teimava em fazer quantos barquinhos de papel eu conseguisse. Tinha gibis, livros, um quadro e giz, dava aulas para as bonecas e quando brincava de casinha tinha sempre um objetivo: simular fugas de um marido violento ou um assalto e aí me via com uma boneca enrolada em fraldas de pano, boné na cabeça e patins nos pés, descendo a estrada.
Dá pra contar tanta história destes anos ali, roubava frutas, corri de gente, corri de cachorro, corri de medo, me escondi, fugi e dormi em vários lugaresinhos dali.
Saudades, saudades, saudades.


A vassoura não é maior e não vou discutir mais sobre isso.
É a verdade, estou segurando-a em frente ao meu corpo e não estou na ponta dos pés como de costume e muito menos em cima de um banquinho.

Sim, porque tiveram dias em que eu usei um pequeno salto e ainda assim subia em um banquinho para me sentir confortável dobrando roupas sob o balcão.
Você me viu nestes lugares.


Agora não estou mais ali, não dancei mais com a vassoura e também não estou mais na loja de roupas enfileirando sapatos ou passando vestidos de cetim.

Agora estou em casa, me escondendo embaixo de casacos quentinhos e bebendo chá.
Está frio e quero te contar o que tenho feito.