Deu que achei uma fotografia da casa vencedora do maior tempo de moradia de minha família : Campo Largo, bairro do Itaqui - PR, difícil contar tudo, mas agora tenho seis anos de lembranças para recordar.

Não faz idéia de quantas vezes corri neste pátio, de como subi nestas árvores, das vezes em que me escondia embaixo do monte das folhas em forma de estrela destes platanos e como na noite brincava de dançar para a lua.
Vivia as minhas manias, empinava pipas, construia laboratórios de perfumaria em árvores, caçava aranhas, protegia borboletas e formigas.
Na primeira janela, da esquerda para a direita, que aparece só um pouquinho, era do meu quarto.
As vezes ainda sonho com ele. Ali eu estendia da porta até a janela e da parede mais uma vez até a janela barbantes intermináveis e neles eu prendia com os grampos de roupa da mamãe todas as minhas pinturas em aquarela. Eram muitas.
Quando eu ficava de castigo teimava em fazer quantos barquinhos de papel eu conseguisse. Tinha gibis, livros, um quadro e giz, dava aulas para as bonecas e quando brincava de casinha tinha sempre um objetivo: simular fugas de um marido violento ou um assalto e aí me via com uma boneca enrolada em fraldas de pano, boné na cabeça e patins nos pés, descendo a estrada.
Dá pra contar tanta história destes anos ali, roubava frutas, corri de gente, corri de cachorro, corri de medo, me escondi, fugi e dormi em vários lugaresinhos dali.
Saudades, saudades, saudades.